segunda-feira, 13 de julho de 2009

sobre aquelas horas...



Série: Private Practice


Aquelas horas que precedem o dia seguinte, nada mais são que horas de vazio, quando se olha para o lado e o corpo que divide a cama contigo é praticamente um corpo estranho, não fosse pelas horas de desejo não reprimido. E são nessas horas de vazio que buscamos compreender com que palavras se descrevem algo assim, ou como se despede depois que o sol nasce. São nessas horas que ficamos a imaginar como seria estar sozinha nesta madrugada, ou então como seria ter uma pessoa ao seu lado que realmente se importa com você. Não importa se a bebida da noite anterior foi em demasiado, o que é importa é o medo da solidão que faz com que olhemos fundo num par de olhos bonitos e o convidemos para passar a noite em nossa cama, isso porque o medo de chegar a casa e encontrá-la vazia é tanto, que se evita pensar na moral, ou então no orgulho, e só imagina os braços que irão lhe acolher minutos antes de dormir. E de quem são esses braços? Não importa. Estou falando das horas em que permanecemos acordadas, enquanto ao seu lado dorme alguém pela qual não se sente comoção alguma. Você até tenta admirar a beleza, o que não é difícil, mas e o resto? Falo das horas de um silêncio absoluto, não falo de arrependimentos, falo de momentos em que nos sentimos tão pequenas a ponto de darmos as mãos para essa pessoa que divide uma cama contigo, só para sentirmo-nos protegidas. Em pensar que a única coisa que desejamos no fundo é apenas isso, a segurança. Algo que não é fácil de encontrar, e na busca, vamos constituindo nossa vida sentimental com essa porção de retalhos, pedacinhos tortos que juntos formam a grande colcha que cobre a nossa cama.

5 críticas:

Monday disse...

Oi, moça, me permita hoje não falar do seu texto, mas da foto. Sabe, toda vez que eu vejo uma foto assim, fico com a sensação que isso vai acabar de uma forma muito gostosa ... rssss

iaiá disse...

às vezes é uma sensação de querer estar ali e não estar, de querer fugir de si...

Eduardo Martins disse...

E virei pro lado e perguntei:
- Quem é você?
E ele disse:
- Eu sou seu superego. Fui tomar uma cerveja ontem... Mas, já voltei.
Tinha perdido o teu link. Como andas as coisas? E Daniel? Parou c/ as curimbas?
bjo

Roza Wiking disse...

Medo, desejo, solidão, vazio, tristeza, loucura, e novamente o desejo.
Todos eles nos movimentam até que, saciados, voltemos a refletir sobre o silêncio.

Ps. A série é ótima!! E depois dessa cena, há varias outras que levam a mesma interpretação.

Daniel Salles disse...

Show esse texto! Um dos melhores que eu li por aqui, hein?!
Beijos